Raul Fulgêncio fala sobre Os Sem Teatro
1. O empreendimento Marco Zero e o Teatro Municipal de Londrina
“Soube da intenção de venda da área da antiga indústria Anderson Clayton, onde pretendiam lançar um loteamento popular num terreno de 257 mil metros quadrados. E eu estava atrás de um grande imóvel para investimento. Percebi a oportunidade de fazer algo diferente naquela área. Londrina, como pólo regional, precisava de algo para consolidar a cidade. Já havia espaço para um segundo shopping de abrangência regional, como vetor de desenvolvimento, além de um centro de convenções – que a cidade sempre falou. Mas precisava também de algo que desse o glamour ao empreendimento. A cidade, com sua efervescência cultural, sempre defendeu a construção de um Teatro Municipal. Foi então que sugeriram a utilização de um espaço do empreendimento para a construção do Teatro.”
2. Ameaça de mudança de local do Teatro Municipal
“Quando percebi que forças estranhas estavam agindo para tirar o Teatro do terreno do empreendimento, senti a necessidade de iniciar um movimento na esperança de que a cidade reagisse, se sensibilizasse. Diante da ameaça de mudança de local, surgiu a idéia da campanha de mobilização comunitária.”
3. A campanha de mobilização, a idéia inovadora
“Pensava numa campanha tradicional, com apelos nos meios convencionais de comunicação. Imaginava utilizar TV, rádio e jornal para conclamar a sociedade, de uma maneira digamos ‘politicamente correta’. A agência, que eu nem conhecia, sugeriu uma forma nova, inusitada e empolgou já no primeiro momento. Me senti levado pela proposta de criar o Movimento Os Sem Teatro.”
4. A estruturação do Movimento Os Sem Teatro
“Depois que a agência apresentou a idéia, aprovada na hora, veio a necessidade de ter alguém de credibilidade na área cultural para estar à frente do movimento. Lembrei-me do Apolo Theodoro, ator e jornalista, pelo seu histórico de luta pela cultura. Ele aceitou também na hora, vibrou com a idéia e passou a trabalhar sob a orientação da agência. A oportunidade era a ideal para a criação do Movimento Os Sem Teatro, justamente porque a ação seria desenvolvida na mesma época da realização do Festival Internacional de Teatro de Londrina, o Filo, um dos principais do Brasil.”
5. Investimento pequeno, sem veiculação, mas muita repercussão
“Antes de conhecer a proposta da agência, imaginava a campanha nos moldes tradicionais, com investimento em veiculação e custando uma fortuna. Quando vi a idéia, senti que estava fazendo algo diferente. Me encantei tanto que sai às ruas junto com o grupo. Acompanhei praticamente todas as intervenções pela cidade. Foi uma das coisas que mais deram alegria, prazer em participar da vida cultural de Londrina. Com investimento mínimo, foi possível mobilizar e empolgar a cidade: crianças, jovens, adultos, famílias inteiras acompanhando o Movimento Os Sem Teatro nas apresentações, cantando junto como se fossem voluntários, apoiando a causa do Teatro Municipal. A campanha cativou empresários, os produtores culturais, as lideranças comunitárias…”
6. A reação das ‘forças estranhas’ com matéria paga
“A campanha movimentou tanto, teve tanto impacto, que de imediato os veículos de comunicação abriram todo espaço para Os Sem Teatro. Começaram as reportagens nas televisões, jornais e rádios da cidade, sem qualquer investimento em mídia. Cartas de leitores, artigos de empresários e lideranças, editoriais de jornais, tudo chamando a atenção para o risco da mudança de local do Teatro Municipal. A repercussão foi tanta que até as forças estranhas apareceram em público, assinando uma matéria paga nos jornais em defesa da mudança. E o valor do informe publicitário pago pelas forças estranhas certamente foi maior do que o investido na campanha criada pela agência e na realização do Movimento Os Sem Teatro.”
7. A campanha pesou na decisão do prefeito
“Tenho certeza que a campanha atingiu o resultado mais rapidamente do que esperava. Pela causa, bem nobre, o Movimento Os Sem Teatro teve peso grande na decisão do prefeito, que reviu sua intenção inicial de aceitar a mudança do local do Teatro Municipal. A forma alegre, comunicativa e inovadora desenvolvida pela agência foi perfeita: exigiu sem ameaçar, mobilizou e fez a cidade polemizar. E o resultado veio com a decisão do prefeito de manter o Teatro Municipal no empreendimento Marco Zero.”
8. Em mais de uma centena de campanhas, nada parecido
“Aprovaria tudo novamente, pela ousadia da proposta, pela oportunidade de se criar um grupo de teatro para atuar paralelamente no Filo, pelo marco histórico, de intervenção popular que o Movimento Os Sem Teatro deixou na vida cultural de Londrina. Adoro comunicação, gosto de participar, de dar palpites nas campanhas publicitárias da minha empresa. E nos 38 anos de atuação no mercado imobiliário, com mais de uma centena de campanhas aprovadas e veiculadas, nunca tinha visto algo parecido: uma campanha alegre, emotiva, mobilizadora. E tudo com custo tão insignificante. Foi empolgante. Até hoje meus filhos usam a camiseta do Movimento Os Sem Teatro. A campanha foi no alvo”.




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