O movimento teatral que tornou o Teatro real

Jump Por Jump
19/05/2010 10:45:43
O movimento teatral que tornou o Teatro real

Nossa certeza de que a propaganda existe para movimentar ideias, sonhos e especialmente pessoas se confirma sempre que conseguimos envolver todos esses elementos em ação. Aqui na Jump, isso aconteceu de forma especial numa campanha desenvolvida em 2009, quando Raul Fulgêncio, um grande construtor da cidade de Londrina, nos convocou para uma tarefa interessante: mobilizar a população em defesa da construção do Teatro Municipal.

O fato do segundo maior município do Paraná não possuir seu próprio teatro chamava a atenção por conta de vários fatores. Um deles é a presença cultural da cidade, que, mesmo sem a estrutura merecida, se destacou internacionalmente por meio de iniciativas como o FILO – o Festival Internacional de Londrina –, um festival de teatro que acontece há 40 anos. Outro agravante era o histórico da promessa contínua do Teatro Municipal por parte dos governantes, que também completava quatro décadas, entre a mudança de projetos, os cancelamentos e, claro, a decepção dos artistas e da população.

No então último ato da peça que envolvia o Teatro Municipal, o projeto e verba aprovados e o terreno doado por Raul Fulgêncio – localizado no Marco Zero, ponto inicial da cidade – permaneciam à espera da assinatura final do prefeito. Foi aí que a Jump entrou em cena. Mais do que trazer à tona a discussão de um tema importante sem contribuir com a ideia de burocracia, era necessário sensibilizar a população e os veículos em relação à necessidade de tudo que um teatro representa: cultura, lazer e cidadania.

Unir ficção e realidade se revelou uma solução fascinante e com muito potencial de resultado. E a ficção, como acontece nos palcos, sempre tem muito de esforço e intenções reais. Quando decidimos reunir um grupo de teatro fictício, na verdade reunimos seis artistas locais reais que acreditavam na causa pela qual lutariam. Liderados por Apolo Theodoro, veterano dos palcos da cidade, eles se tornaram Os Sem Teatro.

O pequeno e pouco glamouroso grupo que começou vendendo bottons e camisetas ganhou espaço em poucos dias. Distribuindo panfletos informativos e realizando perfomances artísticas, a equipe se tornou conhecida nos arredores do FILO e percorreu dezenas de bares, eventos e ruas da cidade. No blog mantido por eles, eram divulgados textos, fotos e vídeos amadores das ações. Em manifestações históricas, o grupo visitou a Câmara Municipal e o gabinete do prefeito.

Os Sem Teatro rapidamente se tornaram um verdadeiro movimento cultural – uma espécie de MST, como foram apelidados pela mídia. O público e a classe artística manifestavam seu apoio na internet e nas ruas, aderindo à causa sem a oferta de nenhuma recompensa. Todos os meios de comunicação da cidade, incluindo jornais impressos, emissoras de TV, rádio e sites, tornaram o protesto e a construção do teatro um assunto constante no dia-a-dia da população.

Em 50 dias de uma campanha que não seguiu os meios tradicionais, os resultados alcançaram números impressionantes. O retorno em mídia espontânea de 7.000% superou todas as expectativas: os R$ 30 mil investidos se transformaram em R$ 2,6 milhões. Acima de tudo, a discussão iniciada pelo movimento d’Os Sem Teatro formou opiniões e chegou ao poder público. Na data prevista para o projeto do Teatro Municipal finalmente começar a sair do papel, o prefeito assinou as decisões que até então questionava publicamente.

Uma das experiências de comunicação mais gratificantes da história da Jump se tornou também uma vitória do empreendedor Raul Fulgêncio, como você pode acompanhar na entrevista que ele nos ofereceu. Além de tudo, o grupo Os Sem Teatro e sua causa representaram – como a propaganda, a arte e a cidadania devem ser – um espetáculo coletivo capaz de engajar e comover muita gente.

Veja algumas fotos e assista ao vídeo-case.

Imagem de Amostra do You Tube

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Ficha Técnica
Título: Os Sem Teatro
Anunciante: Raul Fulgêncio
Direção de Arte: Vinícius Liéssi
Redação: Ana Guadalupe, Apolo Theodoro
Direção de Criação: Mauricio Borges
Produção gráfica: Cristiane Kondo
Planejamento: Arthur Cesar, Harrisson Brait
Aprovação: Raul Fulgêncio
Atendimento: Walter Korneiczuk, Ricardo Rosa

4 comentários para “O movimento teatral que tornou o Teatro real”

  1. [...] Projeto “Os Sem Teatro” motivou a população a apoiar a construção do Teatro Municipal de Londrina, gerou em mídia [...]

  2. [...] comemorativo “Hormônios em Ebulição”, na categoria Propaganda – Revista e o case “Os sem teatro”, na categoria [...]

  3. Andre disse:

    O MST/Teatro é um exemplo de inteligência coletiva e como a propaganda pode ir além do vazio: grana, produto, comissão, persuasão. A propaganda sempre pode mais. Parabéns.

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